Motivação para a benção da Imagem de Nossa Senhora

 O desejo de se construir um espaço mariano em nossa fraternidade vem de longe. No ano passado, esse projeto foi novamente assumido por todos e, agora, sob a coordenação do nosso guardião frei João Mannes e com a colaboração de todos, está sendo concretizado.

O que nos moveu, desde o início desse projeto, foi o desejo de cultivar ainda mais, na nossa fraternidade, a devoção a Nossa Senhora, devoção essa que marcou muito a existência de São Francisco de Assis e que, portanto, constitui-se como uma das características fundamentais da espiritualidade franciscana.

De fato, frei Tomás de Celano, primeiro biógrafo de São Francisco, assim descreve a devoção mariana do santo: “Abraçava a Mãe de Jesus com indizível amor, pelo fato que ela tornou nosso o Senhor da majestade. Cantava-lhe louvores especiais, derramava preces, oferecia afetos tantos e tais que a língua humana não poderia exprimir. Mas o que mais nos alegra é que ele a constituiu advogada da Ordem e confiou à sua proteção os filhos que haveria de deixar para serem aquecidos e protegidos até o fim” (2Celano 198).

Dentre estes louvores de Francisco a Maria nos foram conservadas pela História duas belíssimas orações de profundo conteúdo teológico: A saudação à Bem aventurada Virgem Maria e a antífona “santa Virgem Maria” a ser recitada no final de cada hora canônica do Ofício da Paixão, também composto por Francisco.

Os Frades Menores, desde os primórdios da Ordem, foram fiéis a esta devoção mariana herdada de São Francisco, fazendo memória de Maria especialmente aos sábados e produzindo, nos centros de estudos da Ordem, uma rica teologia mariana que muito contribuiu para a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, em 1854.

É, portanto, dentro dessa grande corrente de amor para com a Mãe de Deus por parte dos Frades Menores que se coloca o espaço mariano que preparamos para nós que moramos nesta casa de formação e também para todos os que a visitam ou nela se hospedam.

Certamente, ao longo dos 30 anos de existência da nossa fraternidade, não faltaram as expressões de devoção a Nossa Senhora. Porém, sentíamos falta de um lugar especial onde tomarmos maior consciência da presença de Maria na nossa casa. Que neste lugar, possamos aprender de Maria as atitudes próprias do verdadeiro discípulo de Jesus Cristo e, portanto, de um autêntico Frade Menor: a humildade, a disponibilidade e a obediência sem reservas à vontade de Deus.

Frei Fábio Cesar Gomes, ofm.
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